Not�cias

Aps perodo de baixa, setor caladista comemora retomada dos lucros

06/02/2019

(...)

Lentamente, o setor calçadista está caminhando rumo à recuperação. Uma pesquisa da Ablac e da Kantar revela que as vendas aumentaram 2,6% entre 2017 e 2018. “Isso é significativo porque viemos de quedas em 2016 e 2017”, destaca Imad Esper, presidente do Conselho da Associação Brasileira dos Lojistas de Calçados e Artefatos (Ablac). “Estamos apostando em um crescimento ainda mais consistente para 2019”, acrescentou o executivo.

Um termômetro dessa reação pode ser observado na maior feira da América Latina voltado ao setor, a Couromoda, encerrado na última semana. Lá estavam pelo menos 2 mil marcas brasileiras expostas nos estandes institucionais e comerciais, além de delegações de mais de 40 países, inclusive árabes e latino-americanos. “Ficou bem claro que os negociadores apostam novamente no Brasil como potencial fornecedor de qualidade em longo prazo. Afinal, os fantasmas da recessão desapareceram e as perspectivas econômicas parecem bem favoráveis”, afirmou Esper.

Apesar das expectativas positivas para o setor calçadista, persiste a preocupação com as exportações. Todos os meses do ano passado, à exceção de abril, tiveram queda, segundo a pesquisa da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados. No fechamento do ano, os embarques ao exterior fecharam com retração acima de 10%. Foram embarcados 113,47 milhões de pares. A soma é de US$ 976 milhões no período, baixa de 10,8% em volume e de 10,5% em receita no comparativo a 2017.

No mesmo período, as importações, principalmente da China, cresceram acima de 20%. “O primeiro semestre deste ano chegou de uma forma bastante ansiosa, não só para o setor calçadista, mas para toda a economia do Brasil. É uma expectativa grande por tudo o que vivemos nos últimos anos”, diz Otavio Facholi, diretor da fabricante Klin.

Só em dezembro, as exportações alcançaram 13 milhões de pares e US$ 97,6 milhões em receita, queda de 24,3% em volume e de 16,5% em receita ante dezembro do ano anterior. Na avaliação do presidente da Abicalçados, Heitor Klein, as oscilações cambiais provocadas pelo período eleitoral no Brasil e o aumento dos juros nos Estados Unidos prejudicaram as exportações.

“A partir deste ano, porém, num ambiente mais seguro para os agentes de exportação, devemos obter incrementos”, prevê Klein, que aposta nas boas expectativas de recuperação, especialmente para o mercado americano. “Existe uma tendência, por conta da guerra comercial travada entre os Estados Unidos e a China, de substituição das importações de calçados asiáticos”, comenta.
Principais mercados 


Os Estados Unidos foram o único país entre os três principais destinos estrangeiros dos calçados brasileiros a apresentar saldo positivo em dezembro de 2018, com 2,17 milhões de pares embarcados a um valor US$ 25 milhões, alta de 51% em volume e de 26,8% em receita ante igual mês de 2017. No acumulado do ano, o país de Donald Trump comprou 10,76 milhões de pares por US$ 166,78 milhões, queda de 5% em volume e de 12,2% em dólares em relação ao ano anterior.

O segundo maior comprador internacional foi a Argentina, que importou 418,4 mil pares a US$ 5,24 milhões em dezembro de 2018, baixa de 47,3% em pares e de 28,5% em receita no comparativo com dezembro de 2017. O acumulado do ano resultou em 1,8 milhão de pares a US$ 139,38 milhões vendidos aos argentinos, crescimento de 2% em volume e queda de 5,2% em receita ante o ano anterior.

(...)

Fonte: Correio Braziliense